Dom da Paz será lembrado nos seus 103 anos

06-02-2012 19:27

 

Os 103 anos que D. Helder Câmara completaria nesta terça feira (07.02), se vivo estivesse, não passará em branco.

Será celebrada uma missa na igreja das fronteiras, local onde o religioso viveu grande parte de sua vida, as 19h. O evento é uma realização do Instituto Dom Helder.

A instituição foi fundada em 07/02/84 por Dom Helder Câmara, na época em que ainda era Arcebispo de Olinda e Recife. O Instituto Dom Helder Câmara (IDHeC) tem como objetivo principal a divulgação das mensagens de seu fundador, de justiça, paz e solidariedade.

O 11º filho do Casal João Eduardo Torres Câmara Filho e Adelaide Pessoa Câmara, nasceu em Fortaleza.

A sua tendência religiosa veio a florescer a partir dos quatro anos de idade, devido a influência dos padres lazaristas, que atuavam na Arquidiocese de Fortaleza, conhecido por Seminário da Prainha.

Recebeu sua primeira eucaristia aos oito anos de idade e aos quatorze entrou no Seminário da Prainha de São José, em Fortaleza, onde fez os cursos preparatórios, e depois cursou filosofia e teologia. Durante os estudos sempre demonstrou desenvoltura nos debates filosóficos e teológicos.

No dia 15 de Agosto de 1931, Hélder foi ordenado sacerdote, por uma autorização especial da Santa Sé. O ainda seminarista Hélder, precisou de tal autorização, por ainda não ter alcançado a idade mínima para tal condecoração, que é de 24 anos.

Sua primeira missa foi celebrada no dia seguinte a sua ordenação aos 22 anos de idade.

Morou e trabalhou no Rio de Janeiro por 28 anos, onde colaborou comrevistas católicas, organizou o XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, exerceu funções na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e no Conselho Nacional de Educação, fundou a Cruzada São Sebastião, para atender favelados e o Banco da Providência, destinado a ajudar famílias pobres.

O Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no dia 20 de abril de 1952, o elegeu Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro. No período em que permaneceu lá, exerceu o cargo de Secretário Geral da CNBB, implantou os ideais da Organização, promovendo interação entre os bispos do Brasil, participou de congressos para atualização e adaptação da Igreja Católica aos tempos modernos, sobretudo integrando a Igreja na luta em defesa da justiça e cidadania.

Foi nomeado Arcebispo de Olinda e Recife aos 55 anos, tendo assumido a arquidiocese no dia 12 de Março de 1964. Nesta época o Brasil encontrava-se em plena ditadura militar, mas, D. Hélder não se deixou abater e se tornou líder contra o autoritarismo e os abusos aos direitos humanos, praticado pelos militares

Desempenhou inúmeras funções, principalmente em Organizações não Governamentais, movimentos estudantis e operários, ligas comunitárias contra a fome e a miséria.

A principal bandeira de luta de D. Hélder foi em defesa dos pobres e oprimidos pelo sistema capitalista

Paralelamente às atividades religiosas, Dom Helder criou projetos e organizações pastorais, destinadas a atender às comunidades do Nordeste, que viviam em situação de miséria.

Em razão de estar sempre aos lados dos mais pobres, foi chamado de comunista e passou a sofrer retaliações e perseguições por parte das autoridades militares. Foi impedido de ter acesso aos meios de comunicação de massa e de divulgar suas mensagens durante todo o período ditatorial.

Apesar de toda a represália que sofria, ganhava cada vez mais visibilidade internacional, recebendo constantes convites para proferir palestras e presidir solenidades em universidades brasileiras e instituições internacionais.

Dom Hélder escreveu diversos livros que foram traduzidos em vários idiomas, entre os quais, japonês, inglês, alemão, francês, espanhol, italiano, norueguês, sueco, dinamarquês, holandês, finlandês

Recebeu cerca de seiscentas condecorações, entre placas, diplomas, medalhas, certificados, troféus e comendas.

O Arcebispo D. Hélder Câmara é lembrado na história da Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil e no mundo, como um Apóstolo, que soube honrar o Brasil e usar o carisma de defensor da paz e da justiça para os filhos de Deus.

No dia 27 de agosto de 1999, a figura do grande peregrino do povo, com sua aparência frágil e a palavra forte, vitimada por uma parada cárdio-respiratória, calou a voz, para dar início a infinita caminhada para a verdadeira vida, que era assim como ele via morte.

 

FILIPE CUNHA BARRETO FRANCA - Para a Revista Armazém 15